Os 204 anos da Independência do Brasil foram celebrados nesta segunda-feira (7) com o tradicional desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e um pronunciamento em rede nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre soberania nacional. Paralelamente, a data também serviu de vitrine para pré-candidatos à Presidência da República, que organizaram atos próprios em diferentes cidades a cerca de um mês do início oficial da campanha para o primeiro turno das eleições de outubro.

Desfile em Brasília

O desfile começou pouco depois das 9h e teve à frente das autoridades o presidente Lula, acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin, do presidente da Câmara, Hugo Motta, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Compareceram ainda ministros das pastas de Educação, Turismo, Mulheres, Previdência e Fazenda.

A programação abriu com o desfile de estudantes de escolas públicas e de blocos temáticos alusivos aos três eixos definidos pelo governo para esta edição: soberania nacional — em meio às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros —, o enfrentamento à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. Em seguida, desfilaram as tropas a pé da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. O público começou a chegar antes das 6h30 e ocupou rapidamente as arquibancadas cobertas ao redor da Esplanada.

Discurso de Lula: soberania e minerais críticos

Na véspera, domingo (6), Lula fez um pronunciamento de cadeia nacional de rádio e TV com o mote "não somos colônia e não seremos colônia de ninguém". O presidente afirmou que "nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender" e disse que "nossas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro".

O discurso citou as reservas brasileiras de terras raras — apontadas como as segundas maiores do mundo — e a descoberta de petróleo na Margem Equatorial como exemplos de recursos estratégicos do país, além de mencionar a aprovação, pelo Congresso, do marco legal para exploração de minerais críticos e estratégicos. O projeto, aprovado pelo Senado em 2 de setembro e pela Câmara em 6 de setembro, prevê R$ 5 bilhões em incentivos fiscais, um fundo garantidor e um conselho de governo com poder de vetar parcerias internacionais no setor — texto que segue agora para sanção presidencial. A discussão ocorre em meio à disputa internacional pelas terras raras brasileiras, depois que o governo dos Estados Unidos fechou acordo para investir na mineradora Serra Verde, com sede em Goiás.

Corrida presidencial: agendas separadas pelo país

Enquanto o Palácio do Planalto concentrava a agenda oficial em Brasília, os principais nomes da disputa presidencial de 2026 dividiram o feriado entre atos de rua, cultos religiosos e agenda de imprensa:

  • Lula (PT), no exercício do cargo, não teve agenda de campanha própria no dia — sua participação se deu na condição de presidente da República, à frente do desfile oficial e do pronunciamento da véspera.
  • Flávio Bolsonaro (PL) convocou um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, com concentração prevista para as 15h e os lemas "Fora Lula, Fora Moraes" e "É agora ou nunca" — mobilização que busca reproduzir a estética dos atos que marcaram a era de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na véspera, participou de um culto religioso conduzido pelo pastor André Fernandes, que declarou apoio à sua candidatura.
  • Renan Santos (Missão) recusou se juntar ao ato de Flávio Bolsonaro, afirmando não "andar com ladrão" em referência às investigações do caso Master que envolvem o senador, e convocou apoiadores para um ato próprio às 11h no Obelisco às Vítimas de 32, no Parque do Ibirapuera, com críticas ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
  • Augusto Cury (Avante), escritor que subiu de 2% para 11% das intenções de voto em pesquisa BTG/Nexus divulgada em 31 de agosto, havia anunciado em 3 de setembro uma caminhada em Copacabana, no Rio de Janeiro, com concentração no Posto 6 e trio elétrico até o Posto 5. A agenda de presidenciáveis compilada pela Agência Brasil para o dia 7, porém, não cita esse ato e lista em seu lugar uma sabatina no programa "Jornal da Manhã", da Jovem Pan, pela manhã, e entrevista prevista à CNN Brasil à noite — uma divergência entre fontes que não foi possível confirmar até o fechamento desta matéria.

Outros pré-candidatos também organizaram atividades no feriado, caso de Romeu Zema (Novo), que fez um ato na Avenida Paulista pela manhã, e Ronaldo Caiado (PSD), que acompanhou o desfile cívico em Goiânia, segundo agenda compilada pela Agência Brasil.

A dispersão de agendas — sem um ato unificado da oposição — ilustra a fragmentação do campo à direita do espectro político a um mês da definição oficial das candidaturas, com Flávio Bolsonaro, Renan Santos e Augusto Cury disputando espaço e apoiadores dentro do mesmo público historicamente mobilizado pelos atos de 7 de Setembro.


Fontes e links úteis: