A divulgação de novas pesquisas eleitorais nesta segunda-feira transformou números de intenção de voto no gatilho de uma das ofensivas digitais mais intensas contra Flávio Bolsonaro (PL) na campanha presidencial. A hashtag "DERRETE FLÁVIO" ocupou o topo dos assuntos mais comentados do X (antigo Twitter) horas depois de institutos como Atlas/Bloomberg e BTG/Nexus mostrarem o candidato estagnado ou em leve queda diante de Lula (PT) no cenário de segundo turno, além do avanço de Augusto Cury (Republicanos) no primeiro turno.
Perfis favoráveis a Lula transformaram esses números em material de meme: mapas de pesquisa como "Lula lidera em 12 estados; Flávio, em 7" circularam ao lado de vídeos e GIFs debochando do candidato, puxados sobretudo por uma conta que se apresenta como voz crítica ao bolsonarismo e que somou postagens com mais de 28 mil visualizações e 2,6 mil curtidas em poucas horas. Parte da militância também produziu vídeos com inteligência artificial parodiando aparições públicas do candidato, misturando crítica política e humor de internet.
Ao mesmo tempo, a hashtag serviu de vitrine para acusações que circulam nas redes sem confirmação da Justiça ou da própria campanha: publicações associam Flávio Bolsonaro ao Banco Master, sob o mote "Cadê os 61 milhões de reais?", numa alusão a supostas movimentações financeiras da família Bolsonaro que não constam de apuração pública até o momento. A campanha de Flávio não comentou essas postagens específicas, mas reagiu ao clima adverso nas redes com publicações próprias pedindo voto e reforçando o número 22, além de compartilhar o mesmo levantamento da BTG/Nexus, que mostra o candidato tecnicamente empatado com Lula no segundo turno — uma leitura oposta à que os memes tentam emplacar.
Aí está o centro da disputa por interpretação: enquanto o trend celebra um suposto "derretimento", o Atlas/Bloomberg desta segunda-feira aponta Lula com 47,1% das intenções de voto no segundo turno, contra 42,6% de Flávio — uma diferença que analistas ouvidos pelo Estadão classificam como dentro da margem de disputa, não de derrocada. No primeiro turno, o instituto registra crescimento de Augusto Cury, hoje em terceiro lugar, o que campanhas de Lula e de Flávio minimizam publicamente, mas tratam como fator de atenção nos bastidores.
Série histórica das rodadas BTG/Nexus de agosto de 2026 mostra Flávio estável até a queda na última rodada, coincidindo com a ascensão de Augusto Cury.
O trend também absorveu, por associação, outro capítulo da crise eleitoral do dia: a decisão do ministro Dias Toffoli, do TSE, de suspender parte da campanha digital de Renan Santos, hoje fora da disputa principal. Publicações misturaram os dois assuntos num único fluxo, indício de como as redes tendem a fundir crises simultâneas — muitas vezes sem distinguir fato apurado de interpretação política.
Procurada, a campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
Nota: parte das informações citadas circula nas redes sociais sob forma de acusação ou opinião política, sem confirmação por apuração jornalística ou decisão judicial, e é tratada neste texto como tal.

